Wine & Music Valley

 


Ausência total daqui por causa da dissertação de mestrado: focada 100% nisso, uma loucura!

Bom, mas o post de hoje será pra falar sobre o último evento, realizado no final de semana passado, em Lamego, Norte de Portugal: Wine & Music Valley.

A proposta foi simples: juntar vinho, música e gastronomia em um único lugar. E lá fomos nós averiguar de perto, uma vez que são 3 coisas que casam super bem. Foram 2 dias de muitas atrações. Haviam 3 palcos: os que músicos tocaram e outro onde as provas de vinhos e os chefs se apresentaram. Haviam mais de 50 produtores de vinho da Região do Douro, muita música e show cooking com chefs estrelados, uma super roda gigante na entrada, o artista plástico Oscar Rodrigues que pintava com vinho (tranquilo, do Porto e mosto de uva), a chamada Vinharela, e expunha suas artes como divulgação de seus workshops que ele realiza na Quinta da Pacheca com os clientes que lá vão para conhecer e fazer o enoturismo. 

 
Entre os músicos renomados portugueses, no 1º dia vimos os show de Bryan Ferry - Slave to Love teve uma releitura mais rápida. O cara tá com 73 anos, deu um show de gaita e super disposição que levantou a galera! No 2º dia pudemos aproveitar o show do contagiante Seu Jorge - esse dispensa comentários .... pra mim, sem dúvida, o melhor de todos nos 2 dias de evento!  

 

O IVDP, Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, apresentou uma degustação comentada, por Bento Amaral, com o tema "A Melodia do Vinho do Porto", relacionando os vinhos com um tipo de música, na presença de atores portugueses e brasileiros.

Mas o que me fez criar esse post? A parte gastronômica do evento, claro! To mais para Quebrar o Feitiço do que Revelar o Feiticeiro. O ambiente destinado ao show cooking era bem espaçoso, porém com um defeito: os shows de música interferiam na apresentação dos chefs, que mesmo com microfone na lapela, não davam conta de falar mais alto que o som que estava rolando ao mesmo tempo. Montaram uma cozinha com um telão enorme para que o público pudesse acompanhar todas as etapas de preparação dos pratos. Ao todo foram 6 chefs preparando os pratos que estavam sendo servidos no evento pelo valor de 8 euritos! Então lá estavam Rui Paula, Pedro Pena Bastos, Vítor Matos, Miguel Castro e Silva, Tiago Bonito e Tiago Moutinho (este último é chef do Castas e Pratos, em Peso da Régua, e já tive a oportunidade de degustar uma de suas criações lá mesmo no restaurante). 


Então cada chef fez uma de suas especialidades: 
  • Rui Paula - Ovo à baixa temperatura.
  • Pedro Pena Bastos - Porco bísaro, raíz de aipo torrada, texturas de cebolas.
  • Miguel Castro e Silva - Cachaço de porco bísaro no pingue com milhos.
  • Tiago Bonito - Secretos de porco preto em bolo caco e maionese de alho e salsa.
  • Tiago Moutinho - Arroz de pato.
  • Vítor Matos -  Alheira crocante com creme de grelos, ovo a baixa temperatura e cogumelos do Douro.


 Bom, já que eu estava lá, 6 pratos de chefs estrelados, vamos provar ... pelo menos um! E lá fui eu gastar 8 euros em alguma das especialidades ali apresentadas. Peguei o cardápio e perguntei um por um para o atendente. Pacientemente ele explicou todos, com a exceção da alheira, que já estava em falta na metade do evento (ok, alheira em Portugal é o mesmo que arroz e feijão no Brasil). Então optei pelo porco de Pedro Pena Bastos. Conforme esperava eu observava os outros pedidos e realmente fiquei impressionada: parecia que eu estava em um restaurante francês pela mínima quantidade servida, em uma festa infantil pelo prato descartável e em um picnic no parque pelos talheres de madeira. Quando recebi o meu porco, vieram 3 lascas com pingos de molho e metade de uma cebolinha. Perguntei se havia algum acompanhamento e a resposta foi negativa.


A sorte é que eu consegui achar um lugarzinho pra sentar e apoiar o prato, mas cortar qualquer pedaço de porco com aquela faca de madeira descartável era inviável! O sabor? Estava delicioso, realmente, mas pagar 8 euros pra petiscos de porco, não! O hambúrguer "esbrãbows" com batata frita que a minha amiga comeu, custou o mesmo valor (mesmo assim não achei barato, não matava a fome e filas para comer que duraram mais de 1 hora em pé) ... comparando valores com o que eu comi, o porco estava caríssimo, achei uma afronta! O público pagou pra estar lá e poder provar de tudo, aí fica mais de hora na fila e chega o mínimo de comida, por 8 euros, feito por um chef estrelado e ainda comer em pé com talher descartável que não corta?! 

Quanto esses pratos devem custar nos restaurantes deles? Não faço a menor ideia, mas já que queriam fazer jus a relação custo x benefício x chef estrela, num evento como esse, deveriam ter pensado em algo mais propício e conivente com o festival e a proposta gastronômica.  

Veja bem, o bilhete mais barato era 25 euros por dia e teve gente que pagou até mais (como área vip e camarotes - este último já incluía comes e bebes no valor) para beber e assistir aos shows. Os valores das taças de vinho estavam proporcionais. O mínimo era 2 e o máximo 6 euros nos estandes produtores + a taça de 2 euros (de plástico, completamente compreensível num evento assim, e que depois de comprada era sua).

Enfim, colocando à parte a relação custo x benefício da gastronomia estrelada, por ter sido a primeira edição, o evento correu super bem. Não havia outro tipo de bebida, apenas o vinho duriense com o intuito de enaltecer e divulgar a Região do Douro considerado como patrimônio histórico e cultural pela UNESCO desde 2001.


A organização já confirmou a segunda edição do evento pra 2020, estaremos lá pra sabermos o que melhorou!!!

🍷 Cheers!! 🍷


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